O avanço da inteligência artificial generativa na produção de conteúdos amplia a preocupação dos consumidores com a credibilidade das informações, especialmente no jornalismo. Um estudo internacional realizado pela YouGov em parceria com a Meltwater mostra que apenas 21% dos entrevistados consideram aceitável o uso de IA em conteúdos jornalísticos, enquanto 73% temem que a tecnologia seja utilizada para criar notícias falsas ou golpes. O cenário reforça tendências observadas em pesquisas recentes destacadas pelo tudoradio.com, que apontam o rádio como uma das mídias de maior confiança para consumo de notícias e com baixa associação à disseminação de fake news.
O levantamento, intitulado Trust in the Age of Generative AI, ouviu 9.869 adultos em sete mercados (Austrália, Canadá, França, Alemanha, Singapura, Reino Unido e Estados Unidos) e analisou tanto a percepção dos consumidores quanto mais de 150 milhões de menções sobre inteligência artificial em plataformas digitais e veículos de comunicação ao longo dos últimos 12 meses. A principal conclusão é que a aceitação da IA depende diretamente do contexto em que ela é utilizada.
O uso da tecnologia é considerado aceitável por 53% dos entrevistados em conteúdos de entretenimento, por 47% em publicidade de produtos e por 44% em materiais educacionais. Em contrapartida, a aprovação cai para 39% em atendimento ao consumidor, 28% em marketing de influência, 21% em reportagens jornalísticas e apenas 18% em publicidade política, indicando que a confiança do público é significativamente maior quando o conteúdo envolve informação e interesse público.
Essa percepção converge com uma pesquisa divulgada recentemente pelo tudoradio.com. A publicação mostrou que o rádio supera podcasts, mídia impressa e ferramentas de inteligência artificial como fonte de notícias nos Estados Unidos, mantendo posição de destaque entre os meios utilizados para informação mesmo em um cenário de crescimento das plataformas digitais e das soluções baseadas em IA.
Preocupação com desinformação lidera entre os consumidores
Entre os entrevistados, 73% afirmam estar preocupados com o uso da IA para criação de notícias falsas ou golpes, enquanto 69% temem que conteúdos produzidos pela tecnologia possam conter informações incorretas ou enganosas. Outros 67% demonstram preocupação com a dificuldade de distinguir conteúdos criados por pessoas daqueles gerados artificialmente.
O estudo também revela outras preocupações relacionadas ao avanço da IA. 67% acreditam que a tecnologia pode reduzir oportunidades para escritores, artistas e outros criadores, 64% receiam o uso indevido de obras sem atribuição de créditos, 61% apontam falta de criatividade ou de perspectiva humana nos conteúdos gerados artificialmente e 58% demonstram preocupação com a ausência de regras mais claras para regulamentar a tecnologia.
Os resultados também dialogam com outro levantamento destacado pelo tudoradio.com em março deste ano, segundo o qual o rádio apresenta uma das menores associações à disseminação de fake news. Na pesquisa, apenas 1% dos entrevistados relacionaram o meio à propagação de desinformação, enquanto a internet concentrou a maior parte das citações.
Diferenças entre países
A pesquisa mostra diferenças importantes na percepção da inteligência artificial entre os mercados analisados. Reino Unido e Estados Unidos registram os maiores níveis de preocupação em praticamente todos os aspectos avaliados, incluindo desinformação, dificuldade para identificar conteúdos produzidos por IA, uso indevido de informações e impactos sobre empregos criativos. Em contrapartida, Alemanha, França e principalmente Singapura apresentam níveis mais baixos de preocupação e maior aceitação da tecnologia.
O levantamento também aponta diferenças quanto ao entusiasmo em relação ao futuro da IA. Enquanto apenas 39% dos entrevistados, em média, afirmam estar otimistas sobre o avanço da tecnologia, o índice é mais elevado em Singapura e Alemanha e mais baixo no Reino Unido e nos Estados Unidos.

Homens e jovens são mais otimistas
A percepção sobre a inteligência artificial também varia conforme o perfil demográfico. 45% dos homens afirmam estar entusiasmados com o futuro da IA, contra 34% das mulheres. A diferença também aparece entre as faixas etárias: entre pessoas de 25 a 34 anos, 48% demonstram otimismo em relação à tecnologia, percentual que cai para 31% entre entrevistados com 55 anos ou mais.
Transparência passa a ser fator decisivo
Outro ponto destacado pelo levantamento é a crescente exigência por transparência na utilização da inteligência artificial. Ao todo, 86% dos entrevistados afirmam considerar importante que empresas e organizações informem quando um conteúdo foi produzido com auxílio de IA. Para 59%, a falta dessa informação reduz a confiança nas marcas, enquanto 63% dizem confiar menos quando o uso da tecnologia parece enganoso. Além disso, 49% afirmam que perderiam confiança caso a IA substituísse completamente os criadores humanos, percentual que sobe para 45% quando a tecnologia é utilizada em temas sensíveis, como notícias, saúde e política.
Embora 58% afirmem acreditar que conseguem identificar conteúdos produzidos por inteligência artificial, 87% demonstram preocupação com a dificuldade que outras pessoas terão para distinguir materiais criados por humanos daqueles gerados artificialmente.
Redes sociais concentram as discussões sobre IA
A análise realizada pela Meltwater mostra ainda que as conversas sobre inteligência artificial cresceram 53% entre março de 2025 e fevereiro de 2026. Desse total, 92% dos conteúdos com maior engajamento tiveram origem nas redes sociais, com destaque para o TikTok, enquanto apenas 8% partiram de veículos jornalísticos online.
Apesar da menor participação, a cobertura produzida pela imprensa apresentou percepção mais positiva sobre a IA do que as conversas registradas nas redes sociais, onde predominam abordagens neutras e críticas à tecnologia. Os autores do estudo concluem que, à medida que a inteligência artificial se torna cada vez mais presente na produção de conteúdos, fatores como transparência, participação humana e credibilidade tendem a ganhar ainda mais importância para empresas, marcas e veículos de comunicação.
Fonte: tudoradio